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terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009
quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
E prontos pessoal...
Modos que isto é assim. Algum dia havia de ser e ando a remoer há tempo suficiente para deixar passar a oportunidade.
Um ano e pouco. Pouco? Não, muito! Deixei aqui tanto...
Agora... agora é outro tempo. Outra página em branco. Outras vontades por descobrir. Adeus? Ou até à vista? Quem sabe... eu não, certamente. Não é isso que interessa. O que é realmente importante é saber o que se quer em cada momento.
E Hoje quero dizer obrigada e...
FIM
Carl Orff "Gassenhauer"
segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
Dos sítios onde leva a estrada - A Linha
Mais um texto "da Yensung". Desta feita, para alguém que também já lá esteve. Mantém-se a escolha de música original.
Só parou na duna mais alta. Dali conseguia abarcar tudo o que os olhos podiam alcançar. Para trás tinha deixado o Tudo, soma de tantos tãos, alguns razoáveis e a sua conta de poucos. Agora, tinha aos pés a extensão de areia pálida e mortiça; em frente o mar revolto e grande, demasiado grande; como tecto, um céu grosso de chumbo. No nariz misturavam-se o sal e o frio, a jeito de libretto comprado à pressa antes da função. Na boca, quente e húmida, memórias agridoces de tantos gostos e pedaços putrefactos de palavras nunca dadas. Nos ouvidos, cansados e atrofiados, nada: nem os batuques das ondinas nem os silfos do vento. Os dedos desse, no cabelo, puxavam e enrodilhavam, alheios à efemeridade de quem ali se atrevia a apresentar.
Desceu à linha de água. A espuma da rebentação parecia querer recordar-lhe que até os rendilhados de antanho se desvanecem. No horizonte, uma fresta no baixo ventre das nuvens grávidas dava passagem a uma tímida réstia de sol. A suficiente para, no reflexo sobre as águas fundas, lembrar que era para isso que tinha chegado até ali. Até à linha.
Então começou. Tirou a roupa. Desfez-se das cordas e das mordaças. Partiu a carapaça e arrancou os cacos do corpo, um por um. Arrancou as tatuagens com as unhas. É bem possível que até tenha arrancado uns pedaços de pele e de carne. Afinal de contas, já não faziam falta.
Há momentos que de tão solenes e tão antecipados acabam por se esvair sem sequer serem apercebidos. Como se não tivessem existido. A primeira memória é a de um frio que sufocava. A seguir, a confusão de não saber o corpo apenas paralizado ou definitivamente desintegrado. Passado o preâmbulo das percepções físicas, ficou apenas o atordoamento das respostas rápidas, claras e concisas: afinal o que tinha querido e procurado durante tanto desse tempo era absolutamente nada. Tudo não era mais que um conjunto de notas primárias de um qualquer editor, na arrogância de se julgar entendedor da essência do autor. Tinha corrido tanto atrás dos efeites certos para os apetrechos acumulados que nunca reparou que aquilo que realmente lhe assentava bem era qualquer coisa que não tivesse Tudo. Por exemplo, uma réstia de sol. Ou um banho de água gelada. E, porque não, apenas inspirar e expirar a seguir. Pequenos vazios de quereres.
Já do lado de cá da linha, percebeu que embora tivesse encontrado a plenitude do lado de lá e não a pudesse trazer consigo, agora era tempo para estar aqui. E Riu, porque aceitava as lágrimas que se misturavam cara abaixo com os pedaços de mar. Porque de tão fina que era a camada de pele que lhe dava unidade, soube que fundir-se com o Todo era apenas questão de escolher não a tapar. E até teria o seu quê de ironia se viesse a descobrir, pelo caminho fora, que até podia ser capaz de Amar...
Só parou na duna mais alta. Dali conseguia abarcar tudo o que os olhos podiam alcançar. Para trás tinha deixado o Tudo, soma de tantos tãos, alguns razoáveis e a sua conta de poucos. Agora, tinha aos pés a extensão de areia pálida e mortiça; em frente o mar revolto e grande, demasiado grande; como tecto, um céu grosso de chumbo. No nariz misturavam-se o sal e o frio, a jeito de libretto comprado à pressa antes da função. Na boca, quente e húmida, memórias agridoces de tantos gostos e pedaços putrefactos de palavras nunca dadas. Nos ouvidos, cansados e atrofiados, nada: nem os batuques das ondinas nem os silfos do vento. Os dedos desse, no cabelo, puxavam e enrodilhavam, alheios à efemeridade de quem ali se atrevia a apresentar.
Desceu à linha de água. A espuma da rebentação parecia querer recordar-lhe que até os rendilhados de antanho se desvanecem. No horizonte, uma fresta no baixo ventre das nuvens grávidas dava passagem a uma tímida réstia de sol. A suficiente para, no reflexo sobre as águas fundas, lembrar que era para isso que tinha chegado até ali. Até à linha.
Então começou. Tirou a roupa. Desfez-se das cordas e das mordaças. Partiu a carapaça e arrancou os cacos do corpo, um por um. Arrancou as tatuagens com as unhas. É bem possível que até tenha arrancado uns pedaços de pele e de carne. Afinal de contas, já não faziam falta.
Há momentos que de tão solenes e tão antecipados acabam por se esvair sem sequer serem apercebidos. Como se não tivessem existido. A primeira memória é a de um frio que sufocava. A seguir, a confusão de não saber o corpo apenas paralizado ou definitivamente desintegrado. Passado o preâmbulo das percepções físicas, ficou apenas o atordoamento das respostas rápidas, claras e concisas: afinal o que tinha querido e procurado durante tanto desse tempo era absolutamente nada. Tudo não era mais que um conjunto de notas primárias de um qualquer editor, na arrogância de se julgar entendedor da essência do autor. Tinha corrido tanto atrás dos efeites certos para os apetrechos acumulados que nunca reparou que aquilo que realmente lhe assentava bem era qualquer coisa que não tivesse Tudo. Por exemplo, uma réstia de sol. Ou um banho de água gelada. E, porque não, apenas inspirar e expirar a seguir. Pequenos vazios de quereres.
Já do lado de cá da linha, percebeu que embora tivesse encontrado a plenitude do lado de lá e não a pudesse trazer consigo, agora era tempo para estar aqui. E Riu, porque aceitava as lágrimas que se misturavam cara abaixo com os pedaços de mar. Porque de tão fina que era a camada de pele que lhe dava unidade, soube que fundir-se com o Todo era apenas questão de escolher não a tapar. E até teria o seu quê de ironia se viesse a descobrir, pelo caminho fora, que até podia ser capaz de Amar...
Sigur Ros "Staralfur"
quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009
Ponto de não retorno
As - felizes, reconheço hoje - circunstâncias da vida empurraram-me do pedestal de todas as certezas dos vinte e tantos para a corda bamba do tudo em aberto aos vinte e muitos. Aos trinta e poucos continuo a tentar equilibrar-me, dia após dia, permeável a descobertas e experiências que me fazem questionar a cada momento a consistência da escala de valores que rege as minhas acções e pontos de vista.
Gosto de viver assim. Gosto de me arrogar a capacidade permanente - ainda que limitada - de questionar, de abrir sem receio de estragar, de brincar com a plasticidade do pensamento e de recriar - ou confirmar - os dogmas apenas temporariamente perenes. Gosto porque experimentei. Gosto porque, experimentando, cresci. Gosto porque, crescendo, desfiz bloqueios, soprei fantasmas e me conheci... um pouco melhor.
Conhecer-me permitiu-me perceber algumas das coisas que quero e outras das que não quero. Permitiu-me partilhar-me não pelas necessidades de outrora mas pelo mero querer de agora. Viver na Verdade comigo própria. Sim, mais vulnerável que dentro da carapaça mas também mais segura desde o lugar que ocupo.
Desde sempre que consigo guardar as memórias destilando-lhes os sentimentos. Se reviver mentalmente certos momentos, sei que houve, por exemplo, dor associada, mas não consigo reproduzir a sensação dessa dor. Fria? Muito. Tomar uma decisão é um processo que potencialmente me pode deixar em carne viva. Mas uma vez tomada, é completamente irrevogável. Tenho marcas, sim. Mas revejo as minhas cicatrizes com o sorriso de agradecimento por cada lição que a vida me foi dando. Não atribuo culpas, não guardo rancores. Mas...
Mas às vezes a vida prega-nos surpresas, de novo. Embora mais vulneráveis mas paradoxalmente mais resistentes à dor, esta depara-se-nos sob uma forma inusitada e desconhecida, que teima em partir e vai fazendo grandes estragos ao ficar. A Mágoa. Só hoje a sinto porque só agora me permiti perceber. Uma vez percebido, não se consegue ocultar o que realmente É. E não se consegue viver na verdade sem tomar uma decisão.
Hoje sangro de novo. Hoje não quero tomar a decisão coerente com os meus apenas temporariamente perenes princípios. Hoje custa demais cortar o laço da vida de toda a vida. Não quero. Mas não sou coerente... Porque dói. Porque Amo, mas magoa. Porque afinal ainda há coisas por descobrir... e hoje descobri que ainda não aprendi a perdoar.
Gosto de viver assim. Gosto de me arrogar a capacidade permanente - ainda que limitada - de questionar, de abrir sem receio de estragar, de brincar com a plasticidade do pensamento e de recriar - ou confirmar - os dogmas apenas temporariamente perenes. Gosto porque experimentei. Gosto porque, experimentando, cresci. Gosto porque, crescendo, desfiz bloqueios, soprei fantasmas e me conheci... um pouco melhor.
Conhecer-me permitiu-me perceber algumas das coisas que quero e outras das que não quero. Permitiu-me partilhar-me não pelas necessidades de outrora mas pelo mero querer de agora. Viver na Verdade comigo própria. Sim, mais vulnerável que dentro da carapaça mas também mais segura desde o lugar que ocupo.
Desde sempre que consigo guardar as memórias destilando-lhes os sentimentos. Se reviver mentalmente certos momentos, sei que houve, por exemplo, dor associada, mas não consigo reproduzir a sensação dessa dor. Fria? Muito. Tomar uma decisão é um processo que potencialmente me pode deixar em carne viva. Mas uma vez tomada, é completamente irrevogável. Tenho marcas, sim. Mas revejo as minhas cicatrizes com o sorriso de agradecimento por cada lição que a vida me foi dando. Não atribuo culpas, não guardo rancores. Mas...
Mas às vezes a vida prega-nos surpresas, de novo. Embora mais vulneráveis mas paradoxalmente mais resistentes à dor, esta depara-se-nos sob uma forma inusitada e desconhecida, que teima em partir e vai fazendo grandes estragos ao ficar. A Mágoa. Só hoje a sinto porque só agora me permiti perceber. Uma vez percebido, não se consegue ocultar o que realmente É. E não se consegue viver na verdade sem tomar uma decisão.
Hoje sangro de novo. Hoje não quero tomar a decisão coerente com os meus apenas temporariamente perenes princípios. Hoje custa demais cortar o laço da vida de toda a vida. Não quero. Mas não sou coerente... Porque dói. Porque Amo, mas magoa. Porque afinal ainda há coisas por descobrir... e hoje descobri que ainda não aprendi a perdoar.
Yann Tierson "Comptine d'un autre Été"
quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
Música
Escolhe uma forma de expressão artística.
Porque antes de ver, ouvi.
Porque sem nunca ter sido uma virtuosa na execução, sempre o fui na audição.
Porque é a minha História e conta as minhas histórias.
Porque me faz crescer.
Porque me faz criar.
Porque me faz chorar.
Porque me electriza.
Porque me seduz.
Porque me transcendo.
Porque me faz pular.
Porque me consola.
Porque me ilumina.
Porque tem magia.
Porque na sua privação sou menos Viva.
Porque me faz entender.
Porque me faz descobrir.
Porque é infinita.
Porque me levanta e porque me esmaga.
Porque me toca.
Porque me alenta.
Porque me sugere.
Porque está presente em todos os momentos.
Porque me embala em todos os sentimentos.
Apenas uma pérola de entre tantas por onde escolher...
Porque antes de ver, ouvi.
Porque sem nunca ter sido uma virtuosa na execução, sempre o fui na audição.
Porque é a minha História e conta as minhas histórias.
Porque me faz crescer.
Porque me faz criar.
Porque me faz chorar.
Porque me electriza.
Porque me seduz.
Porque me transcendo.
Porque me faz pular.
Porque me consola.
Porque me ilumina.
Porque tem magia.
Porque na sua privação sou menos Viva.
Porque me faz entender.
Porque me faz descobrir.
Porque é infinita.
Porque me levanta e porque me esmaga.
Porque me toca.
Porque me alenta.
Porque me sugere.
Porque está presente em todos os momentos.
Porque me embala em todos os sentimentos.
Apenas uma pérola de entre tantas por onde escolher...
Laurie Anderson "Born, never asked"
segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008
E no final do 2008...
... provavelmente o pior ano desta minha existência neste planeta, aqui ficam:

Os votos da Ostra para 2009! Enjoy....
Os votos da Ostra para 2009! Enjoy....
Frankie Goes to Hollywood "Welcome to the Pleasuredome"
quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008
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